Portal gótico
Pórtico tardo-gótico (c. 1480–1500) com 4 arquivoltas ogivais, colunelos com capitéis historiados e friso fitomórfico que anuncia o manuelino. Sobreviveu ao terramoto de 1755.

Portimão · Algarve
550 anos de fé em Portimão (1467–2017)
História
A Igreja Matriz de Portimão foi fundada em 1476, por iniciativa de Gonçalo Vaz de Castello Branco, agraciado como 1º Senhor da Vila Nova de Portimão por D. Afonso V. As primeiras construções deste monumento têm um registo Gótico, mas por desfortuna do terramoto de 1755 que derrocou grande parte da Igreja, apenas restam alguns elementos dessa primeira construção (pórtico, duas pias de água benta, duas janelas seteiras e óculo do tardoz da capela mor). À data da sagração, era constituída por três naves e os arcos que as dividiam estavam assentes em dez colunas de pedra. A sua reconstrução demorou mais de cinquenta anos. O serviço paroquial passou para a Igreja do Corpo Santo, enquanto se reerguia o templo, agora em estilo barroco. Em 1786, ainda com as obras muito atrasadas, reabriu ao culto. Em 1795, para que as obras vissem conclusão, José Caetano Soromenho da Trindade requereu a D. Maria I que mandasse aplicar nas obras os sobejos de alguns imposto. É certo que mesmo assim as obras continuaram por terminar e, em 1802, o Príncipe Regente D. João concedeu a mesma graça de D. Maria I. Em 1803, o Conde Monteiro-Mor, general do Reino do Algarve, concedeu que se aplicassem na construção da Igreja as cantarias da Porta da Serra e outras partes da muralha. O entalhador Manuel Francisco Xavier de Faro executou, em nogueira, o retábulo da Capela Mor. Como as obras não estava de acordo com o que se pretendia, em meados do séc XIX foi executado um último restauro, a expensas de Luís António Maravilhas (sepultado da cripta da Igreja) que fez da Matriz de Portimão uma das mais majestosas do Algarve.
No ano de 1969 deu-se outro abalo de terra e o edifício voltou a ficar algo danificado, tendo vindo a ser restaurado em 1972. Já na década de 90, o padre José Fernandes Águas procedeu ao restauro do retábulo da Capela-mor. Em 1997, foi adquirido um carrilhão de nove sinos. Em 2010, com o telhado e o forro em avançado estado de degradação, assim como as madeiras e as paredes do Templo, o Padre Mário José Rodrigues de Sousa encetou obras de restauro profundo, no valor de quase um milhão de euros.
Linha do tempo
1467
Petição popular ao Bispo do Algarve para erigir a matriz, deferida no mesmo ano. Origem dos 550 anos de fé (1467–2017).
1476
Carta régia de D. Afonso V doando o senhorio a Gonçalo Vaz de Castelo Branco, 1.º Senhor da Vila Nova de Portimão, com a obrigação de fortificar, povoar e edificar o culto.
1480
A igreja já funciona como Colegiada: prior, tesoureiro e 5 beneficiados residentes.
1719 / 1722
Sismos de 1719 (queda da torre e das abóbadas) e de 27 de Dezembro de 1722, a igreja entra em longas obras.
1 Nov 1755
Terramoto seguido de maremoto: colapso da nave, do tecto e da torre sineira. Salvos o portal gótico, as 2 pias manuelinas, as paredes laterais e o óculo do tardoz. Relato nas Memórias Paroquiais, Tomo 29, n.º 230, pp. 1613–1628.
1758–1786
Culto transferido para a Igreja do Corpo Santo (Colégio), enquanto o templo se reergue em estilo barroco.
1786
Reabertura ao culto, ainda com as obras incompletas.
1803
O Conde Monteiro-Mor autoriza o aproveitamento das cantarias da Porta da Serra e de outras partes da muralha na construção da igreja.
Séc. XIX
Último grande restauro oitocentista a expensas de Luís António Maravilhas (sepultado na cripta), «uma das mais majestosas do Algarve».
1863
Encerramento do cemitério do adro por leis sanitárias; novo cemitério municipal.
1969 / 1972
Sismo de 1969 danifica o edifício; restauro pela DGEMN em 1972.
1977
Classificação como Imóvel de Interesse Público (IIP), Decreto 129/77, DR I Série n.º 226, de 29 de Setembro.
1997
Aquisição do carrilhão de 9 sinos (Fundição Serafim da Silva Jerónimo & Filhos, Braga).
2010–2011
Restauro integral pelo Pe. Mário José Rodrigues de Sousa, cerca de 1 M€ (telhado, forro, madeiras e paredes).
2018
Restauro do órgão de tubos Henry Fincham (1886) por Dinarte Machado, 20 000 € (Câmara Municipal).
2024–2025
Escavações ERA no Largo e adro: 3 silos (séc. XVI–XIX), 12 sepulturas sobrepostas e o nível de entulho do terramoto de 1755.
Ficha patrimonial
SIPA
IPA.00001292, Inventário do património arquitectónico.
DGPC
Código 74639, base de dados do património cultural.
Classificação
Imóvel de Interesse Público (IIP), Dec. 129/77, de 29 de Setembro de 1977.
Estilos
Tardo-gótico (portal) · Manuelino (pias) · Barroco joanino · Rococó (fachada).
Localização
37°08′22.4″N 8°32′09.5″W, cota mais alta da vila intramuros, limite norte da cerca.
Planta
3 naves × 4 tramos, cabeceira tripla e 4 capelas laterais.
Tesouros
Pórtico tardo-gótico (c. 1480–1500) com 4 arquivoltas ogivais, colunelos com capitéis historiados e friso fitomórfico que anuncia o manuelino. Sobreviveu ao terramoto de 1755.
Pias de água benta em grés de Silves (c. 1510–1520), taça sobre mísula oitavada com decoração vegetalista «em corda» do tempo de D. Manuel I.
Talha iniciada por Manuel Martins em 1721 e concluída por Manuel Francisco Xavier (1795–1803) em nogueira, com as imagens da Padroeira, S. Francisco e Sto. Inácio.
Silhar seiscentista de padrão e tapete policromo (séc. XVII) e lambris figurados em azul e branco do ciclo joanino/pombalino (séc. XVIII).
Órgão inglês de 1 teclado manual e 12 meios registos, no coro alto. Restaurado em 2009 e em 2018 (Dinarte Machado). Voz do Festival de Órgão do Algarve.
Carrilhão automatizado de 9 sinos fundidos em Braga (Serafim da Silva Jerónimo & Filhos), com relógio de torre computadorizado.
Arqueologia 2024–2025
3 silos
Estruturas em negativo com enchimentos dos séc. XVI–XIX (faiança, cerâmica vidrada e valvas de ostra).
12 sepulturas
Inumações primárias e secundárias sobrepostas, anteriores e posteriores a 1755; osteologia em estudo.
Nível 1755
Camada de entulho do terramoto: cantaria, argamassa de cal e azulejos figurados azul e branco.
Muralha
Troço da cerca tardo-medieval no limite sul do adro (finais do séc. XV).
Acompanhamento ERA Arqueologia, requalificação do Largo e queda do muro sul do adro (2024–2025).
Vida comunitária
Fontes e arquivos
Memórias Paroquiais 1758, Vila Nova de Portimão (Digitarq)
ANTT, Tomo 29, n.º 230, pp. 1613–1628, relato do terramoto e da ruína.
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Registos paroquiais de Portimão (ADFAR)
Arquivo Distrital de Faro, baptismos, casamentos e óbitos (séc. XVI–1911).
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Monografia «550 anos (1467–2017)» (BNP)
Nuno Campos Inácio (2017), base documental da história da Matriz.
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Blog das obras 2010–2011
Diário fotográfico do restauro integral de ~1 M€.
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Monumenta, memória descritiva
Empresa executante da intervenção de 2011.
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Ecclesia, restauro do órgão (2018)
Inauguração do restauro do órgão Henry Fincham (1886).
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